domingo, 29 de julho de 2012

O Gonzaguinha pode e deve recuperar sua orla

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A orla do Gonzaguinha nos anos 60, já ocupada por imóveis, mas ainda com a praia preservada.





As faixas verdes mostram as pistas da Av. Cândido Rodrigues. A primeira delas (lado praia), juntamente com o canteiro central, deveria ser removida, deixando uma única pista de mão única, sem estacionamento para autos e apenas para acesso aos moradores dos prédios. A ocupação dos edifícios já é irregular, pois estão em área de Marinha e seu uso não deve privilegiar os carros dos moradores e seus visitantes e sim toda a população. A recuperação desse espaço em forma de areia de praia seria apenas uma parte do que deveria ser resgate da orla original.

 


Nessa imagem, temos uma ideia de quanto o espaço da orla foi ocupado e como a praia ficou sufocada sob o asfalto e o concreto. Tudo isso seria removido para ser transformado em área de lazer, sem poluição sonora, química e visual. O recuo permitiria que o ritmo natural da maré não provocasse os danos materiais e prejuízos financeiros causados há anos aos cofres públicos.

 
A orla do Gonzaguinha perdeu grande parte da sua área original para ceder espaço aos prédios e avenidas, fenômeno de urbanização e especulação imobiliária dos anos 60 e 70 e que hoje não se justificaria, diante dos novos paradigmas ambientais. O que antes foi uma orla tranquila e controlada, hoje é um grave caso desequilíbrio urbano e insistente desrespeito e agressão à natureza.
Já que não é possível demolir os prédios e construções que avançaram sobre a orla, poderíamos buscar uma solução urbanística mais viável para recuperar a orla, ou seja, a interdição e remoção de grande parte da avenida Cândido Rodrigues.
Essa operação hoje certamente afetaria o trânsito, o grande vilão da qualidade de vida das cidades, mas que precisa ser controlado com rigor e racionalidade pelos nosso gestores públicos e não o contrário. Cidades que se intimidam com o trânsito e com os abusos da ocupação geográfica se tornam indignas de qualidade de vida. As cidades não foram feitas para os automóveis e sim para as pessoas. Antes os automóveis eram minoritários e já manifestava um grande poder sobre a logística urbana; hoje o número de automóveis está aumentando assustadoramente e o tráfego torna-se cada vez mais ameaçador à qualidade de vida. É preciso conter esse avanço da irracionalidade e agir com inteligência, senso de humanismo e principalmente respeito aos cidadãos vicentinos. Fomos, há cinco séculos, pioneiros na cidadania política da municipalidade e poderíamos hoje dar o mesmo exemplo ao Brasil e ao mundo de cidadania sustentável e socialmente responsável. Cidadania é antes de tudo civilidade!
O Gonzaguinha, bem como o Boa Vista, tornaram-se hoje pontos de passagem entre Santos e Praia Grande. Isso é aceitável até certo ponto, mas não pode ser considerado uma obrigatoriedade e um sacrifício da nossa qualidade de vida. Esse fenômeno já aconteceu na Linha Amarela, onde a criação dessa conhecida artéria de trânsito de automóveis, causou e vem causando sérios prejuízos sociais e ambientais aos moradores daquela área. É um tipo de progresso que não tem mais as velhas justificativas do século passado. O trânsito já foi uma prioridade em outras épocas, quando as cidades se orgulhavam de destruir suas riquezas naturais para privilegiar interesses que não eram coletivos. Hoje, ao contrário, as cidades buscam soluções inteligentes e justas, que não causem prejuízos à sociedade.
Cidades Limpas: esse é o novo paradigma urbano. A restrição de fluxo de transportes poluentes e a criação de formas limpas de transporte, são as novas prioridades e não podem ficar apenas no papel. Para São Vicente, a recuperação da Orla do Gonzaguinha teria vantagens verdadeiramente sociais e ecológicas, que são as metas desse novo século e da nossa desconhecida Agenda 21:
- A diminuição da poluição (do ar, visual e sonora), que hoje castigam os moradores e freqüentadores da cidade;
 - A ampliação e democratização da praia, cuja retomada da antiga área natural de areia, seria de grande valor para os turistas e moradores, sendo utilizada praticamente o ano todo;
- Talvez o fim das históricas e constantes reformas da calçada e da avenida, que acontecem após as ressacas, cujos altos custos são pagos todos os anos pelos contribuintes todos os anos;
 - A valorização de centenas de imóveis , do comércio e prestação de serviços, oxigenados pela nova paisagem e a criação de novos espaços de lazer, todos atuando dentro das novas regras ambientais.
  Hoje a orla do Gonzaguinha, talvez a mais bela da Baixada Santista, está sufocada prejudicada pelo concreto, asfalto e fluxo de carros, que trafegam em alta velocidade, colocando em risco permanente os ciclistas e pedestres que precisam ter acesso às calçadas.
A orla pode e deve ser revitalizada em bases sustentáveis voltando a ser um patrimônio natural de grande valor turístico e geográfico, de uso mais amplo para a população e não somente um espaço urbano para servir de passagem de veículos para cidades vizinhas e desperdício de recursos públicos.
Aí está uma proposta aos legisladores e gestores de São Vicente. É mais que uma questão político-partidária, mas principalmente de justiça ambiental e civilidade.

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