quarta-feira, 2 de julho de 2014

A Barra de Santos

Vista aérea das ilhas de São Vicente e Santo Amaro, divididas pelo canal do porto de Santos.  Em baixo  Vicente de Carvalho (Guarujá) e em cima o litoral sul.


A entrada que dá acesso ao porto de Santos é uma das mais belas e curiosas paisagens do litoral paulista. É um enorme canal entre as ilhas de São Vicente e Santo Amaro, separando Santos e o Itapema-Pouca Farinha, antigos bairros de operários da indústria naval e pescadores do Guarujá. Os habitantes e trabalhadores que moram nessas cidades talvez nem tenham um olhar imaginário sobre essa parte da vida urbana, já que, para a maioria deles, trata-se apenas de uma rotina do dia a dia da cidade. 
 
Entre a ponta da praia santista - que fica na ilha vicentina - e a barra do forte, localizada em Santo Amaro, passam todos os dias centenas de embarcações que atravessam o canal ou que entram e saem do grande porto. Em qualquer hora do dia ou da noite, este é sempre um lugar fascinante e que desperta no observador inúmeras impressões, quase sempre cheias de imaginação seguidas de sensações e lembranças.  Ao ficar por uma ou duas horas no calçadão da barra santista é possível ver e admirar essa deslumbrante rotina do cotidiano portuário. Primeiramente o cheiro de mar, que ali é sempre mais forte por causa da concentração de detritos de frutos mar, somada à poluição química dos líquidos combustíveis que alimentam os motores dos barcos. E depois a movimentação de aves da fauna marítima em busca de alimentos. Elas sempre dão um tom musical da natureza resistente e que recusa desaparecer diante dos avanços humanos sobre esse braço de mar.
 
Muito mais interessante é poder ver o que acontece no entorno do canal vendo pelo outro lado da barra, o que não muito comum para os frequentadores do lado santista. Enquanto isso, em apenas alguns minutos, é possível ver e gravar para sempre na memória as imagens de uma pequena catraia transportando rapidamente passageiros de um lado para outro; a balsa que leva e traz os carros; os rebocadores de apoio de embarque, dezenas de barcos de pesca e as raras lanchas que levam os pilotos práticos até os grandes navios que aguardam na baía a ordem de entrada e atracação no cais.  As pessoas que ali ficam por alguns momentos parecem estar entorpecidas pela memória e pela introspecção, talvez imaginando de onde vieram e para onde vão todos aqueles navios abarrotados de cargas, que antigamente eram cobertas de lona e hoje embaladas em grandes caixas metálicas. 

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