quinta-feira, 10 de julho de 2014

Vila São Jorge, Jardim Independência, Vila Valença

 
Avenida Prefeito José Monteiro com a ruas Niterói e Monteiro Lobato; cruzamento das ruas Rio de Janeiro com a Uberaba e Monteiro Lobato. Google: 2011.
 
Tínhamos vizinhos excelentes, morávamos num bairro simples, porém muito próximo das duas principais praias de São de São Vicente: o Gonzaguinha e o Itararé, ainda relativamente limpas e não tão poluídas como hoje. Próximo aos dois morros havia bicas, onde os moradores tinham o hábito de encher garrafões, pois a água encanada tinha um gosto horrível.   Tirando a vida escolar, morar no litoral era diversão praticamente o ano todos, antes que chegassem os compromissos da vida adulta. Em todas a estações do ano as praias eram, como hoje, frequentadas por turistas em férias ou de finais de semana, só alterando a rotina nos meses de verão. São Vicente ainda vivia seus dias de moda praiana e era bem frequentada tanto pelos pelos paulistanos quanto pelso santistas que buscavam um tipo de praia mais aberta e espaçosa. O bairro do Boa Vista também vivia dias de glamour das mansões antigas e edifícios novos que brilhavam nos melhores catálogos imobiliários da região. A Ilha Porchat ainda era o point dos ricos moradores do planalto paulista e da Borda do Campo, bem como da pequena elite vicentina, com a sua localização espetacular no canto do Itaráré e passagem para a pequena e chic Praia dos Milionários. Na ilha tinha, além do clube de praia, dois ou três grandes edifícios, muitas mansões e as famosas boates e choperias, todas com vista para a orla vicentina e santista, bem como para o Atlántico.  Também na larga avenida Presidente Wilson, que dá acesso do Itararé ao centro, hoje forrada de prédios de muitos andares, ainda havia muitas casas e mansões de ricos veranistas. Indo pelo Itararé em direção a Santos ainda se encontrava, entre a linha do trem (hoje VLT) e a praia, muitas casas de férias, incluindo a que durante muitos anos funcionou talvez o mais famoso surf-shop do litoral: a Twin, griffe de pranchas, skates, acessórios e roupas consumidas por todos os jovens que pretendiam ingressar no universo dos esportes radicais californianos e também do cultuadíssimo Hawai. Anos depois a Twin mudou-se para o bairro de Moema, na Capital.  No final dos anos 70 e início dos anos 80 – como uma evidente influência de costumes do Rio de Janeiro - o surf, o skate, o rock beach e cabelo loiro parafinado seria a moda mais forte e significativa da juventude do litoral paulista e dos milhares de paulistanos que desciam a serra para aprender esse novo estilo de vida. As praias de Santos, de areia cinza e dura, nunca foram apropriadas para pegar ondas e o Guarujá não era de fácil acesso, por causa das balsas e da longa distância distância do centro até as praias. Nessa época a Praia Grande, recém emancipada de São Vicente, também era muito distante e frequentada preferencialmente pelos moradores do ABC e o povão das muitas periferias de São Paulo. Restava então, para surfistas e os vaga-beach de Santos e São Vicente, a enorme, meio selvagem e deserta praia do Itararé que, dependendo do dia e da lua, produzia boas ondas e muita curtição na areia. Poucos eram os praticantes do surf, porém muitos se vestiam e viviam a vida como eles.  
    Nessa época já estava em início de construção o Emissário Submarino de esgoto, vizinho ao Orquidário e na praia do José Menino, em Santos. Alguns anos mais tarde, quando o modismo surfista passou, passamos a frequentar e acampar nas belíssimas e realmente selvagens praias do litoral Norte, principalmente Barra do Saí e Boissucanga.

Estávamos nos preparando para uma segunda etapa de mudanças. 
Na década seguinte – entre 1984 e 1990, iriamos com a família para São Paulo, para complementar essa importante fase de transformações.



Copa do Mundo de 1982 e crianças da rua Rio de Janeiro, no Jardim Independência. Dalmo Duque dos Santos. 

4 comentários:

Anônimo disse...

Que saudades desta época que eu ia na praia do Itararé correr depois de sair as 5h do Martim Afonso, das compras na Twin, da parafina no cabelo que ficava seco. Entrei em várias casas da Av Pr. Wilson onde amigos moravam e em outras de frente para o Gonzaguinha, uma tinha pés de jambo em toda sua volta e um lustre gigante e cristal pendendo em frente a 2 escadarias, eramos amigos do caseiro que nos mostrou por dentro, guardei por longo tempo algumas lágrimas do lustre que caíram; hoje tem um condomínio lá que me tirou a visão lateral do mar e da ponte Pênsil, morava atras do hotel Quietude, (que era uma festa a noite bem como na Av., fiquei amigo até das moças, eu era terrível), e ví várias sendo demolidas, me tirando a vista da Ilha Porchat e do mar.

Anônimo disse...

Oi, Dalmo,

estou te mandando um email.

Meu nome é Sylvia.

Abraços

roque furtado disse...

...brinquei muito por estas ruas da vila valença, mantenópolis, colatina, uberaba, nitéroi, dona anita costa, excelentes lembranças!!!!

Du Rsj disse...

Minha infância morei na Anita Costa nos 80 brinquei muito lá só recordações boas